Fuentes de Oñoro

História

 
ANTECEDENTES.

Apesar da primeira noticia histórica de Fuentes de Oñoro, se encontrar num documento judicial no Arquivo municipal de Ciudad Rodrigo de 1376, não quer dizer que não existisse antes. Há vestigios muito antigos de assentamentos nesta zona de Siega Verde no rio Àgueda entre Castillejo Martín Viejo e Serranillo, e o rio Coa em Portugal testemunham, que há 18000 anos esta região já estava ocupada pelo homem e da idade da pedra subsistem alguns menires, como o da Hurtada e Fuenteguinaldo.

Na Espanha Pré-Romana os Vettones ocupavam pelo menos cinco núcleos urbanos que rodeiam esta zona: Castelo Mendo em Portugal, Irueña em Fuenteguinaldo, Lerilla em Zamarra, Miróbriga e Gallegos, sendo seus testemunhos os porcos de pedra que deixaram.

ORIGEM DO NOME

Os romanos deixaram-nos o nome do lugar, que posteriormente seria ocupado pela povoação: “Fontes Alnorum” as fontes Dos amieiros, que evoluindo desde o latim ao castelhano deu o resultado de Fuentes de Oñoro.

Num curto espaço, em varios locais da ribeira, naquela altura repleta de amieiros, encontravam-se cinco fontes, provavelmente conhecidas já na época Romana. A do Ejido, a Fontana, a de San Pedro, que abastece o chafariz, a de San Pablo e a dos Cascabeles. Terminada a Idade Antiga ou na alta Idade Média construiu-se uma povoação em volta destas fontes, da qual recebeu o nome e das que conserva vestigios da sua necrópole na sepultura de pedra situada no caminho de Galapero.

POSSIVEL EXISTÊNCIA VISIGÓTICA

Contamos com uma marca muito importante: a pequena cova do Berrocal, conhecida como a Cova dos Leões. No seu interior encontram-se esculpidos dois belos leões em posição de combate, um touro, um cão e um símbolo semelhante a um coração colocado horizontalmente e uma cruz.

Com a invasão muçulmana toda a região ficou praticamente despovoada. Não ficou nenhuma marca dessa época a não ser o nome de “Algañan” actualmente “Argañan”.

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ORDEM DE ALCÂNTARA, REPOVOAÇÃO E CONSEQUÊNCIAS SÓCIO-POLÍTICAS DA CONDIÇÃO DE FRONTEIRA COM PORTUGAL

No ano de 1161 Fernando II fundou a Diócesis Civitatense (diocese), como unidade administrativa e judicial que tinha como limite ocidental o rio Côa, e a partir dessa época começa a repovoação dos suburbios, com agricultores trazidos de Galicia, Segovia e Ávila para a sua exploração agricola e pecuária.

Quando Afonso IX sobe ao trono, a ordem de Pereiró passou a chamar-se Orden de Alcântara, foi certamente esta orden que repovoou Fuentes de Oñoro para que explorassem as suas propiedades, construindo o templo paroquial por volta do ano 1230.

A história de Fuentes de Oñoro, dado a sua proximidade de Portugal, não podía esquecer a sua estreita relação com o país luso. Em 1297, no tratado de Alcanizes, estabeleceram-se os limites da fronteira entre Castilha e Portugal, e dada a condição de aldeia fronteiriça com Portugal, Fuentes de Oñoro era considerada uma Aldeia Fortaleza.

Para uma melhor administração, Ciudad Rodrigo, dividiu os seus suburbios em seis zonas: Argañán, Camaces, Yeltes, Agadores, Robledo e Socampana. Fuentes de Oñoro estáva dentro da zona de Argañán.

As terras pertenciam a três classes: as propriedades privadas, os terrenos concelhios que eram dos lavradores e criadores de gado que tinham que pagar uma taxa e os baldios que eram terras aproveitadas pelos lavradores e criadores de gado desta região. Posteriormente, os terrenos baldios tornaram-se propriedade privada, nomeadamente minifundios ou latifundios, devido ao aumento da povoação e das necessidades económicas para suportar as guerras.

Em Ciudad Rodrigo havia duas familias que se enfrentavam: os Garci-López e os Pachecos. os Garci-López depois da Morte de Pedro I, o Cruel, ficou ao lado de Fernando I de Portugal e Fuentes de Oñoro ficou anexado ao reino luso. Quando terminou o conflito, Henrique II enviou para o desterro os Garci-López, que foram para Portugal.

No tratado de paz (1371) acordou-se a cedência de Ciudad Rodrigo a Portugal como dote de Enrique II à sua filha Dona Leonor, prometida em matrimónio ao rei Português, mas como esse matrimónio não se realizou ficou sem efeito a anexação da cidade ao país vizinho.

Em 1474, após a morte de Enrique IV, sucedeu-lhe a sua irmã Isabel, rainha de Castela, casada com Fernando, herdeiro de Aragão e rei de Sicilia. O rei Afonso V de Portugal e tio de “Joana la Beltraneja”, filha ilegitema de Enrique IV, por motivos de sucesão, iniciou nova guerra contra Castela, que traria para os arredores de Ciudad Rodrigo graves consequências, cercando Ciudad Rodrigo e ao não conseguir a rendição desta, arrasaram tudo quanto se encontrava à sua frente incluido Fuentes de Oñoro.

Finalmente, a 18 de Setembro de 1479 estabeleceu-se a paz entre Castela e Portugal. Os reis católicos renunciavam ao seu titulo de reis de Portugal e dona Joana, por seu lado, ao de Rainha de Castela e Leão. No entanto, Pedro de Albuquerque, senhor do Sabugal e Alfaiates continuou a invadir as terras de Ciudad Rodrigo.

A partir de 1480 Fuentes de Oñoro inicia um longo período de tranquilidade. Os únicos conflitos que se estabeleciam com os lusos era devido ao cultivo da terra e dos arrendamentos. Foi proibido aos lusos, a partir de 1500, que arrendassem terras de Fuentes de Oñoro. Após este período de paz seguiu-se uma nova repovoação, um crescimento demográfico e por volta de 1534 no territorio de Argañan havia à volta de 1025 habitantes.

A irmandade luso- espanhola acentuou-se com a chegada ao poder do rei Filipe II em 1581, estando sob a mesma coroa desde 1581 até 1640, anos em que Portugal ficou independente da coroa espanhola. Após uma longa disputa, que durou vinte e oito anos, os danos e despovoações foram contínuas. A partir de 1643 as invasões lusas no territorio de Arganãn foram continuas: incendiaram-se povoações arrasaram-se plantações e roubaram gado. Os habitantes das povoações da comarca tiveram de abandonar as suas casas. Posteriormente, a partir de 1669 houve uma nova repovoação, os agricultores e criadores de gado voltaram novamente às suas casas.

O século XVIII inicia-se com a guerra da sucessão, quando morre o rei Carlos II sem deixar herdeiros. Em 1702 começa uma sangrenta guerra, devido à sucessão ao trono español, na qual está implicada meia Europa. Portugal tomou o partido pelo Arquiduque Carlos, o territorio de Argañan foi invadido pelas tropas lusas e inglesas, o que levou ao abandono dos campos e das povoações.

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ALFÂNDEGA

O reconhecimento nacional e internacional de Fuentes de Oñoro é obtido pela sua condição de posto fronteiriço, com a mais importante alfândega luso – espanhola . Desde o século XIV a vigilancia da passagem de mercadorías pela fronteira era desempenhada pelo alcalde de sacas, cargo municipal que recaía sobre alguém das linhagens importantes de Ciudad Rodrigo: dito alcalde de sacas exercia directamente a vigilancia, mas arrendava ao melhor postor tal vigilancia em cada povoação fronteiriça. No século XVIII surge a figura de Administrador de Aduanas com o titulo de Dom, sendo o primeiro Administrador de Aduanas de que há conhecimento, Dom António Martin, Administrador de la Aduana de Fuentes de Oñoro.

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BATALHA DE FUENTES DE OÑORO

No inicio do século XIX, Fuentes de Oñoro sofreu fatais consequências de outra guerra: a guerra da independencia. Com a desculpa de invadir Portugal, as tropas Napoleónicas tinham tomado posições em toda a Espanha, e após o levantamento de Madrid a 2 de Maio de 1808, a resistência espalhou-se por toda a Espanha e Ciudad Rodrigo decidiu não se deixar dominar pelos Franceses.

A pesar da heróica resistência de Ciudad Rodrigo, esta foi vencida em 10 de Julho de 1810. Perante o eminente saqueio pelos Franceses, toda população de Fuentes de Oñoro abandonou as suas casas e o pároco, escondeu os objectos de valor da igreja.

A batalha entre Franceses e aliados (Ingleses, Portugueses e Espanhóis sob o mando do guerrilheiro Julián Sánchez “El Charro”) teve o seu epicentro no casco urbano de Fuentes de Oñoro. As tropas aliadas estavam sob o mando do inglês Lord Wellington e os franceses eram comandados pelo General Massena. O objectivo dos franceses era abastecer as tropas francesas cercadas em Almeida, e a intenção dos aliados impedi-lo.

Após varios días de dura batalha e numerosas perdas humanas por ambos os lados, os franceses consideraram-se vitoriosos, escrevendo esta lembrança no Arco do Triunfo em Paris, embora na verdade a victoria foi dos aliados, pois Wellington impediu o abastecimento de Almeida, que era a causa do enfrentamento.

A derrota descredibilizou, perante Napoleão, o General Massena e fez crescer a fama do general inglés.

A cidade de Londres, agradecida a este povo, que deu destaque à fama de Lord Wellington, dedicou-lhe uma das suas ruas: “Fuentes de Oñoro street”.

É de destacar o heroísmo do pároco de Fuentes de Oñoro, Dom Luis Silva, que durante a batalha de Fuentes de Oñoro, esteve dentro da igreja entre os disparos da artilharia e as chamas da igreja, para salvar “el copon” (Cálice). Depois de duzentos anos ainda perdura na memória popular o heroísmo do pároco, tendo merecido o cálice perdurar na história, ocupando o centro do escudo da povoação.

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ORIGEM DO AYUNTAMIENTO DE FUENTES DE OÑORO: INDEPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA

Depois da Constituição de Cádiz de 1812 abriu-se o caminho para as eleições nos municípios. Tratava-se de uma democracia incipiente, que embora não exista nenhum documento a comprová-lo, tal como noutros municipios, a população elegeu entre os contribuintes de maior idade uns elementos que viriam a eleger o alcalde y concejales. Assim surgiu o Ayuntamiento de Fuentes de Oñoro, que começou a financiar-se com as receitas do Pinar de Azaba (hoje chamado de “Los Campanarios”) os leilões dos Consumos de vinho, aguardente e carnes, o arrendamento de terrenos baldios e pastos junto à ribeira, a parte correspondente à contribuição territorial e alguma multa. Por outro lado os gastos do Ayuntamiento eram os do Secretario, guarda do pinhal, alguacil coveiro, etc., Pagava uma quarta parte do ordenado do professor do primeiro ciclo, gastos da policía e segurança urbana e rural, pagava as obras municipais e reservava alguma verba para imprevistos e calamidades, etc. Após muitas reformas e, com o passar dos anos, incluindo litígios sobre os bens comuns e terrenos baldios dos que os onõrenses tinham o direito exclusivo de aproveitar pastos e restolhais. Nos finais dos anos oitenta, do século XIX, Fuentes de Oñoro inicia o caminho do seu desenvolvimento.

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A RODA DO PROGRESSO

Nos finais do século XIX Fuentes de Oñoro empreendeu o caminho em direcção ao progresso, ficando na linha da frente, a nivel do desenvolvimento, desta zona, fundamentalmente devido ao traçado da linha do caminho de ferro.

Em 1886 inaugurou-se a estação de caminhos de ferro e Fuentes de Oñoro progrediu bastante, deixando de ser uma aldeia desconhecida, passou a ser o ponto de ligação mais importante entre a Europa e Portugal. Com a Estação, cresceu a fronteira e surgiu o Consulado Português.

Com a chegada do caminho de ferro, Fuentes de Oñoro necessitava ferroviarios, guardas, empregados para a alfândega, etc. Em redor da estação, situada a um quilómetro de distancia do pueblo, surgiu uma nova povoação denominada, desde o principio, como “Colónia de la Estación” (Colónia da Estação) de Fuentes de Oñoro.

Quase ao mesmo tempo que chegava o caminho de ferro, instalou-se uma estação de telégrafos, que era explorada pelo Ayuntamiento, sendo esta responsável pelas despesas, apesar das dificuldades financeiras. Em 1922 a administração do Estado tomou a seu cargo essas despesas.

Em 1906 chegou à “Colónia de la Estación” a electricidade, só vinte e sete anos depois de Édison ter inventado a lampada eléctrica. Talvez tenha sido a primeira povoação salamantina que tirou proveito de tão maravilhoso invento. O resto da povoação só teve electricidade em 1927.

Com a chegada do automóvel, era necessário uma estrada que unisse Espanha a Portugal, e que melhor sitio por onde pasar, senão por Fuentes de Oñoro. E em 1933 estavam a decorrer as obras da primeira estrada entre Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo.

Finalmente, temos que destacar a importancia que teve a recente inauguração da auto-estrada A-62 em Espanha e a a sua ligação com Portugal (A-25), que é de vital importancia para o futuro de Fuentes de Oñoro e o seu desenvolvimento económico e potencial crescimento para o futuro, como via de comunicação essencial para o transporte de mercadorías por estrada, entre Portugal, Espanha e o resto da Europa.

Enquanto o Ayuntamiento, como instituição, sofreu muitos sobressaltos, dependendo dos tempos da Monarquia, Ditadura de Miguel Primo de Rivera, República e depois da guerra civil com o franquismo, até que em 1979 se realizaram as primeiras eleições municipais e voltou a surgir o Ayuntamiento.

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BRASÃO

O escudo heráldico foi encomendado pelo Ayuntamiento em 1955 e aprovado pelo Chefe de Estado, e publicado no BOE nº 225 de 9 de Outubro.

O escudo baseia-se na “Batalha de Fuentes de Oñoro “. Tem forma oval rematado com uma coroa de ouro, com quatro pérolas-prata entre os florões e com pedras preciosas aplicadas em circulo. Os lambrequines são em prata.

Está dividido em quatro partes e no centro existe outro escudo.

No Primeiro quarto: Cruz de ouro em fundo de Gules (vermelho), na parte superior da cruz: JHS e o pau transversal com a legenda: Santa Bárbara. A cruz de Santa Bárbara no alto, a que deu nome e foi, provavelmente, o monumento levantado em comemoração da batalha e em acção de graças à patrona da Artilharia, pela victória obtida.

No segundo quarto: Leão com as garras abertas sobre fundo de prata. É o símbolo do heroísmo demonstrado na Batalha.

No terceiro quarto: sobre fundo de Azur (azul), castelo em ouro, símbolo da victória contra as tropas napoleónicas.

No quarto quarto: Sobre fundo de ouro (amarelo) três árvores em sinople (verde), recordação dos três choupos que existiam às portas da igreja paroquial, onde foram atados e fusilados alguns inimigos.

Escudo central. Um cálice de ouro, sobre fundo azul. É a lembrança da façanha feita pelo pároco Dom Luis Silva, que no dia 3 de Maio de 1811 se introduziu entre as balas para salvar as óstias consagradas guardadas num cálice.

Em 1958 o Chefe de Estado assinou em Madrid a dupla consessão de título de Vila e tratamento de “Ilustrísimo” para o Ayuntamiento.

E esta foi a história da Vila, que começou por ser uma herdade doada por Afonso IX de Leão à Ordem de Alcântara no ano de 1226.

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